DE MÃES E AQUARELAS
 
Ariovaldo Cavarzan
 
 
 
Terno é o balé de trinchas e pincéis,
fazendo restar tons vibrantes e pastéis,
em telas de amor e de candura,
representando afetos temperados em doçura.
 
Está composto um ritual de encantamento.
 
Vultos diáfanos e luminescentes deslizam em cortejo,
levitando por sôbre perfumados canteiros.
 
Fragrâncias se espalham no ar e todo o derredor se encanta,
envolto em emanações que a saudade espanta.
 
Coloridas partículas flutuam, num balé de delicadezas,
coreografado ao sopro da brisa, fazendo acalmar incertezas.
 
Aquarelas representam filhos amados,
na intensidade do amor de Mães.
 
Brilhos são preces colhidas,
em jardins de corações,
depositadas em texturas de emoções.
 
O vermelho representa amor intenso;
o azul, a paz do Céu reproduzida;
o verde, em tons fortes ou esmaecidos,
imita afetos, vividos e esquecidos,
sinalizando limiares de esperanças,
nutridas em afiados cinzéis,
e depois em frinchas esvaídas.
 
Matizes amarelos,
mais claros, ou mais belos,
simbolizam amados filhos especiais,
que, embora jamais esquecidos,
ternos abraços não alcançam mais.
 
Difícil escolher entre elas,
aquelas que se digam as mais belas.
 
Matizes policrômicos sugerem flores,
num festival de saudades e amores,
transformando as virtuais pinturas,
em carinhos de afetos e canduras.
 
Há serenidade em mais um alvorecer,
e é domingo, o segundo, em Maio,
em que tudo está a acontecer.
 
Há festa nos corações daquelas em que
o doce mister das Mães as sustém.
 
Há alegria no plano das que já se foram,
e das que ficaram também.
 
 
 
Campinas, 13/04/2011
 
Arte e formatação:
Águida Hettwer
Ano 2011